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Olha o naipe da cagada…

30 abril, 2008

O começo da dor de barriga

 

De um lado a crise alimentar é uma realidade cada vez mais gritante. Do outro, o desmatamento precisa parar e só cresce. As áreas já desmatadas não tem produtividade o suficiente. Mas também não podemos desmatar mais. Eu poderia ficar horas nessa ciranda maluca. Preferi só postar um pequeno apanhado de dados que fiz em apenas meia hora. Se não sabemos o que fazer, pelo menos vamos começar com duas atitudes:

 

Parar. Pensar.

 

O quanto a cagada está crescendo

Já vem de algum tempo. Um relatório do Banco Mundial aponta que, entre 2000 e 2005, o Brasil desmatou um total de 31 mil km² de sua área florestal, o que nos torna líderes absolutos de desmatamento no mundo. O foco principal da cagada agora é no Mato Grosso e Pará, com destaque para o primeiro. Os dados mais recentes apontam que a área desmatada nos dois Estados passou de 77 km2, de janeiro a março de 2007, para 214 km2 no mesmo período deste ano, dos quais 149 km2 foram em Mato Grosso. O levantamento foi feito pela organização não-governamental Imazon usando imagens de satélites.

Imagina o tamanho dos buracos que se vê lá de cima.

Os responsáveis pela indigestão

Como eu disse anteriormente, o desmatamento vai muito além do comércio de madeira ilegal e envolve questões delicadíssimas como a necessidade de produção de alimentos. Tem muita politicagem no meio. Mas se liga só nessa notícia publicada hoje:

A Polícia Federal deflagrou ontem, em 14 municípios de Mato Grosso, uma operação para combater a extração e o comércio ilegal de madeira. Dos 67 mandados de prisão expedidos pela Justiça Federal, 29 se referiam a servidores de órgãos públicos como a Sema (Secretaria Estadual do Meio Ambiente), a Dema (Delegacia Estadual do Meio Ambiente), o Indea (Instituto de Defesa Agropecuária de Mato Grosso) e a Polícia Rodoviária Federal.

O barraco está armado. E é armamento pesado.

Quem está sentado no trono

Blairo Maggi (governador do Mato Grosso) controla um quarto das 36 cidades apontadas pelo ministério como as campeãs do desmatamento. Veja a opinião dele sobre o assunto e sobre a recente projeto de Zoneamento Sócio-Econômico-Ecológico do Estado:

 

“Com o agravamento da crise de alimentos, chegará a hora em que será inevitável discutir se vamos preservar o ambiente do jeito que está ou se vamos produzir mais comida. E não há como produzir mais comida sem fazer a ocupação de novas áreas e a retirada de árvores.”

 

Marina Silva (ministra do Meio Ambiente, que não por acaso já teve muitos desentendimentos com o Sr. Maggi), Tatiana Abreu Sá (diretora-executiva da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e Paulo Adário (coordenador da campanha Amazônia do Greenpeace) não pensam assim. A tecnologia já existe, está ao nosso alcance e pode evitar o desmatamento. É evidente que isso leva tempo, mas talvez esse tempo fosse menos prejudicial se, além de tudo isso, o nosso amigo Maggi não fosse o tipo de gente que em plena campanha contra o desmatamento vai a Brasília tentar convencer o Lula a reduzir as restrições impostas ao seu Estado e questionar os dados que apontam a atrocidade que vem acontecendo.

 

No mínimo suspeito.  

 

Enquanto isso, no lustre do castelo

 

O Greenpeace faz protesto diante da embaixada brasileira em Berlin. Será que não tem ninguém um pouco mais perto que queira ajudar, não?

 

A cagada está no ar. E tem cheiro de queimado.

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